Bom como a maioria já sabe quando minha mãe faleceu eu tinha 15 anos, minha irmã 9 anos e um pai que perdeu o chão e demorou muito para se recuperar.
Enquanto minha mãe esteve com a gente a nossa educação foi bem dura, eu costumo dizer que militarista, mas não reclamo não muito pelo contrario. Aprendi que tenho que ser resposável ao extremo com minhas escolhas, mas isto é assunto para um outro texto rs.
Quando me vi a responsavel pela casa e irmã, bateu um desespero sim, e até tentei pedir ajuda para os "universitários", mais conhecido como família rsrrs, mas foi desastroso. Eu e meu pai decidimos então encarar sozinhos a batalha. Eita que batalha hein...
Meu pai é que precisava de ajuda, perdeu o eixo completamente, e no dia a dia virei a responsável pela minha irmã, etapa complicada já que ela também não estava bem e a sociedade a nossa volta não aceitava que a levasse em medico, ou estivesse presente em reuniões escolares e afins afinal eu também era menor de idade. E mesmo diante de todas as lagrimas escondidas no travesseiro a noite, vencemos... Minha preocupação com ela sempre foi materna, só tinhamos uma a outra, quando foi que finalmente meu coração acalmou? Quado ela casou rs, sim, então finalmente pensei ela está bem, nós conseguimos. E foi aí que tive tempo de sentir falta da minha mãe.
Muitos anos depois meu pai casou novamente e ganhamos um irmão, tão lindo, tão fofo, rs (filho do primeiro casamento da minha então madrasta) quando se mudou lá pra casa ele tinha 5 anos e como ainda não haviamos reformado a casa eu optei em não dormir mais no meu quarto e dormia na sala com ele todas as noites, foi bem divertida essa fase e confesso que ele me trouxe dias felizes novamente.
Mais tarde, nasceu mais um imão, fruto desse casamento, e todas as noites quando ele acordava aos berros rsrsr a mãe dele demorava muito, mas muito mesmo pra conseguir levantar, por conta do parto, e la estava eu todas as madrugadas "socorrendo", embalando e acalmando o bebê.
Tive um namorado que moramos juntos, costumo dizer que esse namoro foi um acidente de percurso na minha vida, mas a parte boa é que ele tinha dois filhos do primeiro casamento, dois meninos gêmeos, lindos e abençoados. Nos davamos tão bem que me chamavam de "Mamãe Cici". Perde-los acho que foi parte mais dificil no fim desse relacionamento e quando um deles me "achou" no facebook eu parecia uma boba chorando em frente ao PC com as mensagens deles. Graças a Deus eles tem uma mãe maravilhosa e meu coração finalmente acalmou.
Minha irmã tem dois filhos, e no pós parto de ambos ela teve complicações e ficou internada, e lá estava eu cuidando dos recem nascidos, tanto do primeiro filho quanto da segunda filha, e participando dos primeiros passos de cada um deles, sempre fui presente na vidinha de ambos, e estava com eles o tempo todo. Hoje acho que sou a tia/madrinha mais babona do mundo rs.
Bom, dei aula durante 23 anos. Fui professora de baby, de crianças, adolescentes e adultos e pra quem conheceu meu trabalho sabe que minha dedicação foi sempre além da sala de aula. Além de preparo técnico e expressivo da dança, me dedicava a inspira-las a cuidar da alimentação, do físico para manutenção da saúde, nas escolhas profissionais, e até nos relacionamentos em sociedade. Sempre me preocupei com suas conquistas e tinha muito medo de se frustarem em algo. Muitas entraram na minha sala adolescentes e saíram mulheres até mães, cresceram na minha sala fazendo plié rsrsr. Algumas até me davam presentes e cartinhas no dia das mães.
Uma vez uma de minhas ex alunas, que também trouxe suas filhas pra minha sala, e se tornaram minhas alunas me disse "Ci, você com seu jeito com a gente só não pariu mas já foi mãe."
Então é isso, pra quem vive me perguntando sobre minhas escolhas e meu jeito, sim eu já fui mãe, varias vezes.
Hora de cuidar de mim. Feliz dia das mães.
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